sexta-feira, 26 de julho de 2013

O FEIO QUE INVENTOU A MODA LEANDRO, Luciano. Jabi vive na pequena cidade de Jurema com Ângela, sua mãe. Ele é pequeno, magro e fisicamente feio. Gosta de escrever e ouvir seu programa de rádio favorito, por causa das poesias que o locutor declama. Tem apenas um amigo, Arthur, que no dia em que se conheceram saia da mata cantarolando. Em Jurema não há nada de muito interessante para Jabi fazer, a não ser subir na ate o topo de uma pedra e transcrever seus pensamentos nas brancas folhas de seu caderno. A vida segue tranquila até que Elem se matrícula na escola da cidade e senta-se duas cadeiras após a sua. Nesta época os dois tinham 14 anos e descobrem o amor, cultivado por ambos até o fim de suas vidas, que se distanciaram ainda naquele ano. Quando a apresenta à classe, a professora diz aos alunos que Elem mudara-se com a família para a cidade de Jurema há dois dias e, por tomar conhecimento desse fato, Jabi se ofereça para acompanhar a mais recente moradora de sua cidade natal. A menina rejeita a companhia e esclarece que seu irmão virá buscá-la, oque acontece não apenas naquele dia, mas em todos os que se seguiram. Jabi pôs-se a observá-la e a esperar até o dia em que seu irmão não estaria na porta da escola aguardando-a. Demora, mas o grande dia chega e os dois conversam. Neste dia, Elem conta que sua família está de mudança, pois terão de ir para a Grande Cidade em busca de tratamento para uma doença da qual seu irmão se abateu. Ensaiam um pequeno desentendimento e o menino termina caído no chão, ouvindo os passos da jovem e acreditando que ela está se afastando, até que sente um toque e, de repente, um beijo. As crianças se abraçam e acariciam. Elem vai embora. Jabi recolhe o material que estava espalhado pelo chão. Percebe que os cadernos haviam sido trocados e decide guardar o caderno de sua amada intacto, bem como Dona Ângela faz com as coisas de seu pai. Ele não se aguenta e, ao ler as anotações que ali se encontram transcritas, percebe que há tempos seu sentimento era correspondido. Além disso, percebe que a troca dos cadernos não se deu ao acaso, mas foi planejada por Elem que lhe deixa o endereço da nova residência de sua família na Grande Cidade. Os anos passam e os laços da amizade existente entre Jabi e Arthur estreitam-se a cada dia. Eles terminam a escola e divertem-se com a chegada de uma Televisão à cidade, trazida pelos padres para o entretenimento dos juremenses. Mas, apesar do amor que sente por sua mãe e do companheirismo que tem com seu melhor amigo, Jabi decide que é chegada a hora de sair do interior e caminhar por onde seus conterrâneos jamais foram. Despede-se de ambos e toma seu rumo. Ainda no ônibus, nosso jovem menino descobre Arthur escondido. Quando chegam à cidade, Jabi hospeda-se num hotel no qual seu amigo entra às escondidas, diariamente, cada vez de uma maneira diferente da outra. Os dois passam à trabalhar. Nosso menino feio à principio trabalha com carregamento de cargas num caminhão junto com um rapaz cuja vaga de emprego havia sido divulgada na porta da casa de sua mãe. Seu amigo passa a trabalhar limpando lapides no cemitério e aparece esporadicamente, sempre animado e cheio de novidades para contar. Arthur alcança sucesso em seu emprego que aparentemente não era atrativo. Passa na TV e, numa tarde, Jabi briga na rua para defender a reputação do amigo e arruma um novo emprego. O Sr. Orlando, com quem brigou, diz que gosta de pessoas que defendam os seus amigos. O feio passa a trabalhar numa clinica psiquiátrica e, quando Arthur vai visitá-lo, sua vida passa por uma grande revelação que mudaria seu futuro e a forma como ele se relacionaria, tanto com as outras pessoas quanto consigo mesmo. Trata-se de uma história simples e com alta carga psicológica que pode ser lida durante algumas horas de uma mesma noite. Comprei este livro durante uma visita ao Festival de Inverno de Paranapiacaba, no interior de São Paulo, nas mãos do próprio autor e me surpreendi com a obra que me foi entregue, por um simpático e educado escritor. Recomendo à todos.

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